Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina

Paulo de Queiroz Telles Tibiriçá

O professor Paulo de Queiroz Telles Tibiriçá nasceu aos 27 de junho de 1903 na capital do estado de São Paulo. Era casado com a professora Celina Mendes da Cunha, diretora da Faculdade de Enfermagem de Porto Alegre.

Formou-se na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, onde, após o término do curso, defendeu tese sobre “Arteriosclerose bovina”, tendo obtido grande distinção e voto de louvor da comissão examinadora.

Após a formatura, foi nomeado 2º Assistente da Cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de São Paulo, sob regime de tempo integral, tendo assumido em 16 de janeiro de 1927. Em 08.08.29, foi promovido a 1º Assistente.

Em 1935, foi enviado em Comissão do Governo do Estado de São Paulo ao Paraná para lecionar Anatomia Patológica e montar o respectivo laboratório na Faculdade de Medicina do Paraná.

Em 1936, prestou concurso de docência livre de Anatomia e Fisiologia Patológicas na Faculdade de Medicina do Paraná, obtendo o título.

Em 1939, conquistou o título de Docência Livre de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de São Paulo.

Enquanto em São Paulo, foi sócio da Sociedade de Biologia de São Paulo, tendo chegado à presidência da mesma, também da Associação Paulista de Medicina e da “Deutschen Patologischen Gesellschaft”.

No Rio Grande do Sul, foi presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre em 1951. Idealizou e fundou, com Bruno Marsiaj, a Associação Médica do Rio Grande do Sul que presidiu de 1955 a 1957.

Presidiu a assembléia de fundação da APLUB e foi seu presidente de 1964 a 1967.

Fez parte do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul de 1959 a 1962.

Presidiu a Junta Governativa do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul de 1962 a 1963, quando assumiu a presidência da mesma até 1965.

Foi sócio da Sociedade de Biologia do Rio Grande do Sul.

Sua atividade científica é representada pela publicação de 50 trabalhos científicos e inúmeras publicações de divulgação científica.

Participou de inúmeras comissões de concursos de Cátedra em várias Escolas de Medicina do Brasil.

Recebeu os seguintes galardões:

•     Sócio honorário da Sociedade Santanense de Medicina.

•     Presidente Honorário da Sociedade Brasileira de Patologistas, 1968.

•     Sócio Benemérito da Associação Médica do Rio Grande do Sul, 1968.

•     Gaúcho Honorário pela TV Gaúcha - Zero Hora, 29/09/1975.

•     Medalha Jorge Tibiriçá, da Polícia Civil de São Paulo, 21/04/1979.

•     Presidente honorário do Guaíba Country Club, 1980.

O título de que mais se orgulhava era o de professor Catedrático de Anatomia e Fisiologia Patológicas, conquistado em concurso concluído em 15.12.1944, obtendo média final 47,8 de 50 (provas de títulos e trabalhos, escrita, prática, oral e defesa de tese). Tomou posse do cargo de professor Catedrático, padrão “M”, do Ministério da Educação e Saúde na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, na cadeira de Anatomia e Fisiologia Patológicas da 4ª série do Curso de Medicina, em 23/01/1945.

Aposentou-se, como professor Catedrático, padrão “0”, em 05/05/1962.

Para evidenciar a importância que dava ao título de professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, é ilustrativo reproduzir texto de polêmica que manteve com os colegas professores Cezar Ávila e Ivo Corrêa Meyer que o haviam criticado por ter reprovado em concurso candidato a professor de Anatomia:

“Chego, agora, ao ponto que me causou estranheza máxima que chega mesmo a ser engraçada. É quando o professor Cezar Ávila diz: ‘Eis que surge em nossa mente a desconfiança de que a razão máxima da invalidação do candidato, nessa prova, tenha sido o não darem esses senhores de outras Faculdades ou originadas de outras Faculdades (aqui é comigo), valor aos títulos conferidos pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, tão legal quanto os outros”. Eu não dar valor aos títulos conferidos pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre! Prezado amigo professor Ávila: qual é o meu melhor título? Qual o título que me custou tantos esforços, tanta espera desesperada e que, para manter, eu deixei minha terra, meus parentes, meus amigos, sacrificando minha família? Esse título é o que muito me honra possuir, o de professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre! E por ela, pela sua grandeza, tenho trabalhado, com afinco, para suprir, com meus esforços, numerosas falhas existentes na cadeira a meu cargo. Rebaixar a Faculdade de Porto Alegre seria rebaixar a mim mesmo. Seria suicídio moral! Eu justamente quero valorizar os seus títulos. E, quando se quer valorizar um título, não se deve oferecê-lo a preço baixo, mas segurá-lo o mais possível. A prova de que isso é verdade foi o que me disseram em São Paulo, quando voltei de meu concurso: ‘Gostei de você não ter tido dez em tudo. Isso prova que o título de lá tem valor’. Confesso que ficaria desapontado se todas as minhas notas tivessem sido dez.